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UM OLHAR QUE VISLUMBRA O NOVO

O ente humano, em geral se acha identificado com os papéis, profissional, familiar, social e religioso. A noção de si mesmo se estrutura nos conteúdos temporais oriundos desses papéis. Quando, por alguma razão, acontece um olhar que percebe fora desses papéis, se revela o vazio existencial seguido muitas vezes de crise. Esse olhar não vislumbra, em um primeiro momento, o ser que ele essencialmente é. Vê apenas a falta de sentido dos papéis que ocupa nas relações, e se depara com a ausência de sentido do seu próprio mundo. Essa situação cria um assombro que inquieta, e muitas vezes, assusta. Esse susto quando afeta patologicamente pode gerar enfermidades como ansiedade, depressão, pânico, diversos tipos de neurose e suas compensações. Pode também estimular uma atividade desenfreada, e muitas vezes até desesperada de busca de sentido para a vida e levar à outras formas de desequilíbrio.

Uma disfunção muito comum se expressa no esforço para manter, pela rigidez e o conservadorismo, um sentido artificial e até moralista dos valores e costumes que nutriam os papéis nas relações até então. E mesmo não fazendo mais sentido, são cultuados, por não se saber o que pensar e o que fazer. O receio de mudanças reforça o apego ao velho. Outro modo de expressão desse mesmo desequilíbrio aparece nas atitudes contestadoras que buscam quebrar regras e convenções, cultuar originalismos e transgressões, mas que no fundo ainda fazem parte da mesma velha estrutura. Ainda é a vigência do esquecimento do ser.

O Yoga convoca a um olhar para fora dos papéis sociais e familiares, com os quais ainda permanece a identificação, mesmo que, como já foi dito, já não façam mais sentido; e convida à iluminação do horizonte onde se vislumbra o ser que se é. O sentido do Yoga como o vislumbre do ser para além dos papéis, só é possível, no entanto, quando esse olhar já se deu para o vazio desses mesmos papéis. É preciso já ter olhado para fora dos pressupostos vigentes, para saber que eles são insuficientes. Daí surge a crise e com ela o convite para a redescoberta de si mesmo. É preciso então a disposição adequada para o ver que apreende o ser em si mesmo e em todas as coisas, e que pode acessar uma nova dimensão de consciência e uma nova maneira de viver.

O Yoga, para quem viu a insuficiência daquilo que constitui a identidade vigente, é o percurso do desvelamento do ser que se é. É o caminho de plenificação de si mesmo. Para quem se mantém cultuando aquilo que vigora mesmo sem fazer sentido, por conformismo ou medo de admitir que o mundo em que vive está em chamas, para esses o Yoga é apenas exercício, e serve para trazer mais conforto dentro da “mesmice’ e mediocridade da mentalidade dominante. Podemos perguntar então se é possível ao Yoga abrir os olhos de quem o pratica, tornando possível ver além do discurso vigente? Ou se é apenas mais uma opção reacionária para anestesiar os efeitos da decadência. E uma possível resposta é: pode abrir os olhos, sim! Ou o “olho divino” capaz de ver o que é. Mas nem sempre isso acontece! Esse “abrir os olhos”, por sua vez, quando de fato acontece pode ser de dois modos: um é quando pelo próprio discurso instaurador de um novo sentido, o Yoga confronta as idéias vigentes e responde as questões para as quais a mentalidade dominante não fornece respostas satisfatórias.

E a outra maneira é quando pelas alterações de percepção que as práticas yogis provocam ocorre uma mudança de perspectiva que descortina novos horizontes, e com isso novos questionamentos e descobertas. As práticas do Yoga trabalham a partir e sobre a estrutura energética, corporal e psíquica estabelecida em cada ente humano. Essa estrutura humana carrega em si, o traço do discurso vigente, em forma de valores, crenças, padrões de reação emocional e mental, condição do fluxo energético nos meridianos e chakras, padrões respiratórios, hábitos posturais e condição da estrutura de tensões musculares e emocionais crônicas, que sustentam e são sustentadas pelo falso ego, o eu temporal.

O Yoga promove uma intervenção deliberada e precisa sobre essas estruturas, e provoca com isso significativas mudanças que repercutem na visão de mundo e de si mesmo que até então vigorava. Com isso se torna possível um olhar para além do já pensado, e se pode vislumbrar a falência do conhecido na tarefa de dizer o que as coisas são. Esta ação do Yoga, desestabilizando a estrutura da mentalidade vigente manifesta sua face Shivaista de destruição do mundo já feito, liberando a possibilidade de recriação de sentido. Essa recriação de sentido ocorre pelo acesso à unidade, a origem instauradora do real, e manifesta a função Brahmanica de criação do mundo. Assim o Yoga aparece em duas forças essenciais: destruição e criação! Morte e renascimento! Uma vez instaurada a criação, age a força de preservação, Vishnu! Brahma, Vishnu e Shiva precisam atuar em sincronia perfeita para que a vigência do mundo seja sempre com sentido.

A constante criação, preservação e destruição ocorrendo no seu momento apropriado resultam em uma articulação sempre viva do real. É necessário estar alerta para uma tendência humana de auto asseguramento que pode se tornar desmedida e confundir preservação com conservadorismo e cristalização. Pois com isso se perde o contato com a necessária desconstrução e recriação de sentido desde a origem, e surge o esquecimento do princípio instaurador que fundamenta a realidade. O medo que provoca e sustenta a desmedida auto preservação provoca em seguida o próprio esquecimento do ser.

O Yoga pode, portanto, abrir ao olhar humano o espaço onde o ser habita e é. Nessa apreensão do ser, o ente humano acessa a dimensão originária de si mesmo, e se torna a própria totalidade da vida. Vive a partir do que é. É autônomo e livre. Realizou, e sempre de novo se põe a caminho da plenificação de si mesmo. O Yoga se torna reacionário quando, em sua transmissão, usa-se o discurso estereotipado, “já sabido”, e que não dá conta de responder as questões que o movimento da vida nos apresenta. Ou ainda, quando a prática dos exercícios obedece a critérios equivocados, não concorrendo para a desestabilização dos condicionamentos e padrões que sustentam a mentalidade vigente e o falso ego.

A justificação das práticas yogis com argumentos que se baseiam unicamente nas comprovações científicas dos seus efeitos, não faz o percurso de principio, de apropriação de sentido, e por isso leva pessoas a práticas terapeuticamente eficazes, mas carentes de fundamento. Não atingem o essencial na crise humana hoje, que é a ausência de significado e de conexão com o Si mesmo. As práticas de Yoga nesse caso mascaram os sintomas negativos de uma mentalidade vazia e em crise. O que se encontra então nas práticas não é a luz que dissolveria a crise e desvelaria o ser e o sentido de si mesmo, mas um subterfúgio a mais para diminuir o desconforto. Isso apenas fornece resistência para que se continue, por mais tempo ainda, na estrutura doentia sem sentir tanto os efeitos nocivos dessa condição.

Por Akal Muret Singh.

 

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junho 16, 2015

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